Puns? Não será de evitar respirar quando há Puns no ar?
Vou partilhar convosco uma estratégia de respiração consciente baseada em PUNS! Sim, foi este o exercício que me “salvou” numa das sessões desta semana na escola.
Cheguei à escola feliz, relaxada e super entusiasmada porque a sessão desta semana tinha planeado fazermos uns exercícios divertidos de Respiração e ler uma história que costuma ser muito bem recebida por eles. Em vez do ambiente Zen que idealizei na minha cabeça sou confrontada com um grupo mega eléctrico, cheio de coisas para partilhar e com pouca vontade para colaborar (há dias destes…)
Fomos fazendo alguns exercícios de relaxamento do corpo e chegado o momento oportuno propus fazermos o tal exercício de Respiração Consciente super divertido (… nesse dia, pelos vistos divertido só na minha perspectiva). Dois meninos mais velhos começam a expirar fazendo o som “Prrruuu”(tipo flatulência, estão a imaginar?), a rir e a desconcentrar o resto do grupo.
Nesta altura 2 hipóteses de reacção surgiram na minha mente:
1.Confrontar, mostrar que estava zangada explicando as minhas razões e pedir que parassem aquele comportamento;
2.Entrar na brincadeira e tentar extinguir o comportamento o mais rápido possível.
Escolhi a segunda hipótese porque a primeira ia dar-me mais trabalho, fazer despender mais tempo e levar-me a sentir mais cansada uma vez que a sua eficácia seria provavelmente pequena. Então, disse-lhes:
J.– Ahh, estão a respirar à PUM.- Risada total de todos. Os que não estavam a respirar assim, começaram naquele momento.
J.– Ok, então se vamos fazer a respiração do PUM, temos que imaginar que tipo de Rabo somos. (Sim…pouco convencional, mas a minha intenção é que aprendam a centrar-se e neste caso pode ser na concepção do tipo de rabo que seriam se pudessem)
Eles concentraram-se por alguns momentos e lá respiramos como se fossemos rabos (ahhh, a magnificência de trabalhar com crianças). A verdade é que a brincadeira deixou de ter tanta piada e ao fim de pouco tempo foram os próprios que me disseram que já chegava.
Aproveitei a deixa e propus que cada um deles criasse um tipo de Respiração Consciente para todos fazermos. Tivemos respirações de Fadas, Araras, Coelhos, Cobras, etc.
Em muitas sessões sou confrontada com estas situações e o que observo é que se me permitir “seguir as necessidades” do grupo a maioria das vezes o resultado é bem melhor. Neste caso eles estavam a precisar de rir, brincar e de um espaço mais livre para a criação.
Ao pegar numa iniciativa deles que provavelmente noutras situações foi vista como “mau comportamento” e transformar num jogo e fazer com que todos participassemos, permitiu uma boas gargalhadas e a que acabasse a “malandrice” rapidamente. A sessão seguiu sem mais interrupções e acabamos por fazer o que estava planeado e ainda mais.
Caso estejam a pensar fazer alguns exercícios de respiração Consciente com os vossos filhos ou alunos por favor NÃO comecem por aqui =) .
No caso de serem confrontados com uma situação semelhante, usem a estratégia com precaução!
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Autor: Juliana Barroso
